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日志


9月27日

Descobertas musicais

 

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Descobri hoje Renaud Garcia Fons. Maravilhoso instrumentista. Ouvi a integral dos "Navigatore" e o "Arco azul". Corri à FNAC para ver se encontrava mais. Non, rien de rien.

Há dias de sorte e este foi sem dúvida um dia desses.

Aqui fica para os que conhecem Fons e para os que só hoje vão beneficiar da sua música.

 

 

"Oryssa"

9月17日

Expansão do IKEA

 

O IKEA está a planear vender automóveis de gama média-alta, a preços super competitivos.
O conceito "DIY - do it yourself" mantem-se.

Só para clientes habituais....

Ora vejam...  basta utilizar esta ferramenta que já vem na embalagem.

ferramenta

Cliquem aqui

Já agora... contratação de empregados para o IKEA:

EmpregoIKEA

9月15日

A Terra vista do espaço

 

Pede-se a todos que por aqui passarem que cuidem dela! Por favor transmitir este "recado" aos que não passarem, e assim por diante.

A humanidade agradece!

 

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Clicar aqui para ver ... boa viagem!

No dia da morte de Richard Wright (1943-2008)

 

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Os Pink Floyd marcaram gerações. Na morte de Richard Wright aqui fica a minha recordação. Talvez numa melodia, ou num género, menos conhecidos da banda.

 

 
9月11日

CERN - Acelerador de partículas

 

Vejam, de uma forma divertida, como se pode explicar ciência.

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CERN Rap from Will Barras on Vimeo.

9月4日

Textos de amigos para o Sítio da Cuca (2)

 

27 Junho 2008 088 

Helder Coelho ( foto de Margarida Pino,2008)

Uma Estadia na Vila em Maio de 2006

“Perde-se o horizonte de que a arquitectura lida com todas as formas de conhecimento. A flor do conhecimento humano é a cidade. É tudo o que temos e o que de melhor podemos fazer”.

Paulo Mendes da Rocha, Prémio Pritzker 2006.

 

Dá pouco para acreditar. Fanático do Rio, desconfiado de São Paulo, passei uma semana de Maio na Vila Madalena, bairro no oeste norte de São Paulo e um oásis numa região conhecida pela insegurança e agressividade urbana.

A Vila (Madá) é um dos três bairros contíguos, outrora propriedade de um português rico e pai de três filhas (Madalena, Beatriz, Ida), cujos nomes ficaram para sempre associados às zonas da capital.

Através da Internet, e graças ao Google e ao MapLink, tinha já feito uma viagem virtual pelas ruas do bairro, ollhado para as lojas e os barzinhos, descoberto as livrarias e os restaurantes, revisto o mercado de sábado, memorizado etiquetas e marcas para mais tarde percorrer a pé como viajante anónimo. Contudo, não tinha sentido sem as pessoas, não vira os corações e as caras, e não imaginara encontrar num domingo de manhã alguns pobres dormindo em alpendres e outros vagueando sem problema pelas ruas, pontuadas por casas baixas de dois pisos, muitos jardins interiores e um cenário que nada tem com o centro da urbe e muito menos com as suas ruas mais movimentadas.

O prazer de cidade é este, se perder no emaranhado das ruas, navegando pelo cheiro e instinto, olhando tudo com atenção para não perder os detalhes que só a máquina de filmar consegue registar. “São Paulo é detestável, um desastre, a cidade que não deu certo”. Chico Buarque (Maio de 2006) referia-se à arquitectura e ao urbanismo. Mas para quem está disposto, como Ian Mayes ombudsman do The Guardian, a descobrir tesouros, a cidade não é só caos e, na semana de 15 (14.05.2006, Cotidiano de a Folha de S. Paulo, Gilberto Dimenstein) nunca terá sido tão visível a sua energia. O maior ataque do PCC (Primeiro Comando da Cidade) fez 30 mortos (25 policiais), através de 63 atentados e rebeliões em 24 prisões de 23 cidades do estado. O governo disse que os ataques foram a reacção contra as transferências de detidos, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, 38, o Marcola, principal chefe do grupo.

São Paulo não precisa de apresentação, nem espanta o turista desprevenido. A violência e a falta de segurança são conhecidas, e todo o evento irregular encaixa imediatamente num cenário previsto, não constituindo surpresa. Um fim de semana alucinante (274 ataques, 94 mortos e 91 suspeitos presos), como o de 13-15 de maio de 2006, deixou-me indiferente, e nem o blitz na ponte Jaquaré me perturbou ou me distraíu do desejo de ver a Pinacoteca do Paulo Mendes da Rocha. A Folha do domimgo 14 trazia coisas sobre o arquitecto premiado com uma espécie de Nobel, e uma vista de olhos sobre revistas recentes permitiram-me ler algumas entrevistas que me deram um sentimento de si, das suas ideias sobre a grande cidade sul americana. É bonito ler “onde o homem estiver há uma arquitectura” ou “São Paulo é belíssima porque você imaginar que esses 20 milhões de habitantes todo o dia dormem, se divertem e no dia seguinte voltam para trabalhar direitinho, mesmo com todo esse horror que está aí, donde não existem cidades feias”.

Aluno de Vilanova Artigas, o líder dos brutalistas (Joaquim Guedes, Carlos Millan) da Faculdade de Arquitectura da Universidade de São Paulo (USP), conhecedor dos materiais e amante da exposição natural das suas propriedades (mostrar o betão ao vivo), Mendes da Rocha fez, em São Paulo, intervenções que modificaram o espaço e a paisagem, garantindo interrupções no contínuo horribilis. E, isso permite ver que o centro não é o sítio de habitar, mas somente o de trocar, comercializar mercadorias várias no movimento carregado e opressivo que nos ofende. Fugir do centro histórico, deixando para trás a avenida Paulista, a Sé, alguns bons restaurantes, lojas e museus, ajuda a baixar o ruído e a descobrir a oeste outros bairros (Vila Madá) ou, a sul, os Jardins, onde se passeia a pé ao lado de prédios coloridos e baixos, jardins debruçados sobre muros, lojas com design, e bistrôs abrindo-se sobre passeios apinhados de pessoas a beber uma cerveja e a conversar sossegadamente sobre os temas da moda.

“Você não pode imaginar uma casa. Não faz sentido, você tem de ver onde ela está”. Ora, aqui está como uma simples ideia de Mendes da Rocha nos ajuda muito a situar os pequenos mundos, abrindo-nos os olhos para encararmos as coisas com outra disposição, mais calmos e seguros de que há sempre uma perspectiva que nos engana e distrai, afastando-nos do essencial.

Saí da rua Harmonia, onde estava vivendo num flat hotel, e pensei no que ia fazer, de imediato, comendo um croissant bem francês no Deli Paris. Depois, comecei a caminhar num passeio sem automóveis, olhando as montras, espreitando para além dos vidros, imaginando espaços como o Bossa Nueva à meia noite. Não sou noctívago, e procuro na luz do sol a energia para me deslocar com passo disciplinado e enérgico, militar, observando tudo e criando ficção dentro da minha cabeça. Aquela mulher me olhou, me viu atravessar a rua, me perseguiu até à esquina, e me largou da mão, porque não retribuí um olhar, virando a face e marcando meu território.

Desencontros destes ocorrem enquanto passeamos, nos distraem por instantes dos nossos objectivos, e fazem-nos depois estar mais atentos ao que se passa em nosso redor: ver um perigo de sedução, uma incomodidade pior do que a falta de segurança, e como diria seu Jorge “É isso aí, como a gente acha que ia ser”.

Desci pela Wizard até à Fradique Coutinho e fui recto até à livraria da Vila ver as últimas novidades e tentar comprar as selecções que tinha feito na livraria Cultura via Internet, e ainda em Lisboa, coisas várias que apanhei aqui e ali, lendo recortes, crónicas, críticas e sugestões.

Iniciei a busca pelo escaparate dos novos lançamentos, curioso com os meus autores preferidos, Rubem Fonseca, Bernardo Carvalho, Dalton Trevisan, Nelson Motta e Luis Alfredo Garcia-Roza. Havia só uma história de Mandrake, do início de 2005, que não tinha aindo lido e que deixara para trás no ano passado por causa do peso da mala na mão. A jovem vendedora adiantou um palpite, de um escritor jovem, apresentado ali uns meses antes, com uma trama gostosa (ela frisou) ocorrida no Pará. Imaginei o calor, estava em São Paulo, e olhei bem para ela. Não era bonita, me pareceu inteligente, e sem dúvida era simpática. Havia construído rápido o meu perfil, como nas séries policiais, apenas com o conteúdo das minhas perguntas cortantes e avançava num terreno privado da minha mente. Teria ela adivinhado o estilo que eu gostava? Continuou cheia de confiança, com os olhos a brilhar, justificando os seus avanços, e olhando a minha reacção. Segui para a zoma das novidades e peguei no Marçal Aquino. Comecei por ler as badanas, olhando de soslaio para ela. Estava atenta e sedutora. Gostei dela, e procurei reforçar as suas pistas, curioso sobre a certeza da sua aposta. Continuei lendo a primeira página. O estilo era o que eu gostava: frases curtas e articuladas, o texto bem cortado à navalha, pouca gordura nas descrições, movimento dos personagens, ritmo e vozes concisas. Era isso, este escritor correspondia ao meu perfil. Lembrei-me da velha rádio Pandora.com na rede, capaz de me dar música segundo os meus gostos tipificados por cantores ou por autores. Devolvi-lhe o meu sentimento. Sorriso, pura satisfação e pronta para continuar em jogo. Tive medo. Peguei no livro, juntei aos outros que entretanto segurava e fui para a caixa pagar. Voltei a cabeça e fiquei sabendo que os meus receios eram verdadeiros.

Abandonei a livraria e escolhi outro trajecto para regressar ao hotel. O meu mapa mental da Vila, que estudara na Internet, servia-me às mil maravilhas para cruzar ruas e ir às curvas. Desta vez pretendia descobrir peças femininas, mas por muito que procurasse aquelas lojas não me convenciam. Insisti em olhar para dentro das montras, entrar nalgumas, mas desisti ao fim de várias tentativas infrutíferas quando tudo me pareceu trivial ou cafona.

Em casa olhei para as compras com cuidado e fui conferir com a lista global para assinalar o que me faltava ainda ver na Cultura, em particular os CD´s e os DVD´s, cuja diversidade na Vila era muito pobre, se comparado com o que tinha na Cultura.

Aproveitei para beber uma cerveja gelada enquanto folheava os livros e respirava o sabor da surpresa pela leitura de algumas notícias do jornal. Debiquei uns cajus e um pãozinho de queijo. Depois fartei-me de estar na sala sem poder ouvir música. Não conseguia ligar o meu computador à energia eléctrica. No Brasil havia uma norma de fichas/tomadas eléctricas diferente da europeia, e precisava de ir ao centro da cidade para encontrar uma solução.

Saí para o jantar, fazendo exercício a pé, e optei por um percurso que ainda não havia feito. Baixei até à Aspicuelta e fui a direito até ao Martín Hierro. Apetecera-me comer uma carne argentina grelhada enquanto pensava na telenovela Belíssima da Globo. Que ia fazer a Bia Falcão no episódio dessa noite?

O governo de São Paulo tentara acabar com os assaltos e as mortes, contactando o Marcola e acertando os pauzinhos. A bandidagem fizera uma pausa de segunda para terça, cansada de tanto trabalho e recomeçara terça à noite, com o mesmo tipo de diversões contra a polícia e os transportes, incendiando autocarros e pressionando a opinião pública, como os lobistas junto dos políticos. Comparando com o Comando Vermelho do Rio, o PCC saía em primeiro lugar, mais disciplinado e centralizado. Havia também aqui uma diferença entre as duas capitais, pois o profissionalismo era visível em todas as áreas sociais, incluindo com certeza o sub-mundo. Será alguma vez possível superar a turma de São Paulo na organização da luta urbana? E, já imaginaram o que é instalar uma central telefónica digital junto à prisão do chefe para que ele possa fazer uma teleconferência com os seus comandantes (internos e externos) em directo?

Descansei no restaurante, começando por uma caipirinha de cana, enquanto tirava notas de viagem no meu caderno diário. Era cedo para jantar, mas o sítio já estava quase cheio, e amigos bebiam um chope, debicando nos aperitivos. Não iam jantar para já, conversavam, talvez sobre o que se passava na urbe, sem mostrarem medo da guerra ou das previsões para o dia de amanhã. Estávamos no Brasil, não ia ser nada!

O paradigma para um viajante acidental (lembro-me do filme do Lawrence Kasdam) é ser cauteloso (em ambiente selvagem) e evitar nunca fazer besteiras por distracção ou cansaço. A preparação física é essencial para preservar a vida. E, para ser sincero, acho que Marisa Monte tem razão quando diz “As coisas são assim, e se será, será”. Fui para casa, a pé, lentamente, saboreando a noite, como se nada tivesse ocorrido, e à minha volta tudo parecia em ordem. Nos passeios, grupos bebiam cerveja bem gelada, faziam horas para comerem mais tarde, pois existem horários para tudo. Nos bares dançantes, por exemplo, os empregados discutiam futebol, as farmácias estavam fechadas, nos botecos as vozes estavam bem altas, e fazia-se fila para entrar no supermercado. Comprei uma revista na barraca dos jornais, e rumei para o hotel, ainda a horas de ver os maus chingarem os bonzinhos.

Helder Coelho

 

Caetano Veloso canta "Sampa"