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5月23日 Canção e imagem
Para H.
A canção de Jean Ferrat e a pintura neo-impressionista do pintor russo Vladimir Shcherbinin fazem um excelente conjunto. Para os que não se interessarem pela pintura e se lhes apetecer fazer uma viagem no tempo... cliquem aqui e vejam o Ferrat (a cantar) tal como alguns de nós o conheceram. La montagne Paroles et Musique: Jean Ferrat 1964 "Jean Ferrat - Vol.1 (1999)" Ils quittent un à un le pays 5月21日 No tempo do Desafinado
Ouvi pela primeira vez João Gilberto em 1962. Vivia ainda em Luanda e o pintor Albano Neves e Sousa, que tinha sido colega do meu pai nas Belas Artes, grande apaixonado pelo Brasil (acabou por falecer, muitos anos mais tarde, em S. Salvador da Baía onde se fixou), trouxe de uma viagem um LP de João Gilberto. Estava perante um tipo de música que, sendo brasileira, era muito diferente da outra lamecha e chorada que eu detestava. Desse LP fazia parte "Maria Ninguém" ( que ouvi repetidas vezes) e o "Desafinado". Foi amor à primeira vista. Um tipo de amor "para sempre". Aqui fica para ouvirem com carinho.
Desafinado - João GilbertoSe você disser que eu desafino amor 5月20日 O Zoo fechou
Não. Não é esse. Podem continuar a levar as criancinhas a ver os animais enjaulados, os golfinhos saltadores e o lobo marinho beijoqueiro. Refiro-me ao Zoo Bizarro blog de minha muita estima. O autor, o JG, tantas vezes aqui citado após "rapinanços" da Cuca, abriu as portas das jaulas e libertou a bicharada. Este homem dá cabo do meu coração afeiçoado! De vez em quando farta-se ou cansa-se ou...sei lá. ( "Sei lá" é doença do foro do "lá"). Já tinha carpido lágrimas quando do encerramento do "Blog da Sabedoria". Depois acedi a ir ao Zoo. Agora o tratador fecha-o.Bicharada à solta. Ficam mais blogs do JG para visitarmos. Aqui vão os endereços: Cá por mim vou continuar a segui-lo.
Wittgenstein cantado
Ludwig Wittgenstein (1889-1951) Há filósofos que nos "seguem". Para não confundirem com alguma pseudo imodéstia tive o cuidado de colocar aspas... Estudei Wittgenstein. Li muito sobre o filósofo. Como se costuma dizer de algumas coisas gostei de outras não gostei nada. Sem meio termo que em filosofia não existe. Wittgenstein começou a "seguir-me" quando descobri através do Tratactus que cada uma das proposições (aforismos, fragamentos) permitia multiplas reflexões e um prazer estético muito semelhante ao que sinto ao ler poesia. Por uma qualquer coincidência encontrei o blog "Escrito a Lápis" de João Barrento, professor, ensaista, escritor, tradutor ... que muito estimo e que vou acompanhando graças à editora Cotovia e ao que vem publicando quer no "JL" quer noutras colunas de jornais. Recentemente adquiri os dois volumes do "Homem sem Qualidades" ( Edições D.Quixote ) que traduziu. Sem qualquer dúvida, bem. Após leitura de alguns posts sobre Maria Gabiela LLansol ( de grande interesse para se entender a obra da escritora ) encontrei, com data de 09 de Fevereiro de 2008, um outro: Wittgeinstein: s(w)inging the Tractatus que transcrevo: "As grandes obras do pensamento, da arte, da literatura, são tolerantes e abertas. Com elas pode-se fazer muita coisa, desde que as não reduzamos a um uso estreito, meramente «culinário», como dizia Brecht, que destas coisas sabia e fazia muito. O Tratado Lógico-Filosófico de Wittgenstein, publicado em 1921 depois de ter sido recusado por um júri da Universidade de Viena, é uma daquelas obras, hoje quase míticas, que viraram do avesso a tradição filosófica ao instituir um linguistic turn que haveria de ter enormes consequências e desenvolvimentos na filosofia e na linguística, na literatura e até na música, como adiante se verá. O ponto de partida de Wittgenstein foi um postulado tão simples e apodíctico como os do Tratado: «Toda a filosofia é crítica da linguagem». Nesta segunda carta refere-se ainda outro aspecto central em Wittgenstein: se a forma do Tratado (próxima do aforismo ou do fragmento) é o seu lado estético, a consciência dos limites da linguagem nele expressa é a forma própria da sua ética. Ouçamos o que Wittgenstein escreve: «O sentido do livro é ético. – Queria incluir no prefácio uma frase que acabou por não ficar, mas que agora lhe escrevo, porque talvez lhe forneça uma chave. O que eu queria escrever era que esta minha obra consta de duas partes: aquela que aqui está, mais tudo aquilo que eu não escrevi. E precisamente esta segunda parte é que é importante... Em suma, creio que pus no meu livro tudo aquilo que muitos hoje dizem de forma fantasiosa, na medida em que silencio tudo isso...»
Ficam aqui as primeiras três songs da «TractatuForam estas (e algumas mais) razões que um dia levaram um compositor finlandês, M. A. Numminen, a ordenar em songs algumas proposições-chave, pondo assim o Tratado de Wittgenstein a... cantar. A história remonta aos idos de sessenta, quando Numminen, ainda estudante, gravou as duas primeiras songs na cantina da universidade de Turku, apenas com um microfone e em estilo de falsete cultivado que se transformou no seu modo inconfundível de, num misto de seriedade e humor (que não é estranho ao próprio Wittgenstein), despertar o interesse para esta obra do filósofo.s-Suite», apresentada em versão completa em Estocolmo em 1988 e gravada em CD em 1989.
Com este post e com o post de João Barrento esta terça-feira de chuva transformou-se num dia luminoso. É sempre assim quando descobrimos algo bom. 5月19日 A Beat Generation e uma dupla imperdível
A obra de Jack Kerouac , os poemas de Gregory Corso e de Allen Ginsberg contribuiram para que descobrisse uma outra América que Sinclair Lewis, Steinbeck ou William Faulkner nunca me transmitiram. Li-a numa idade de crise de valores e da confirmação de que a hipocrisia de uma nação era proporcional à sua dimensão. Estes autores tal como os da Angry Generation em Inglaterra atreviam-se a quebrar valores a ir para além do vulgarmente permitido. Estavam do lado de lá de tudo. O entusiasmo que me provocava a sua leitura não excluiu nunca a perspectiva critica que fazia das suas vidas. Kerouac morreu em 1969. Ginsberg sobreviveu-lhe muitos anos. Recordo que para o fim da sua vida assisti a intervenções suas no minimo patéticas e até reacionárias. Mas não me arrependo de os ter conhecido pela obra e pelo legado que deixaram. Pelo espírito, pelo não conformismo, pela luta por uma "causa" que, de certa forma, abalava e consciencializava a América. Jack Karouac com o pianista Steve Allen que acompanha a sua leitura. Sobre a o vídeo e a obra de Kerouac " On the Road" ( traduzida para português com o título " Pela estrada fóra" ( Ulisseia, na 1ª edição ) retirei o seguinte trecho: After an interview, Jack Kerouac reads his reason for writing while accompanied by pianist Steve Allen. The original 7 minute appearance was from a portion of "The Steve Allen Plymouth Show" - Season 5, Episode 7; a two hour commercial broadcast initially airing Monday night, around 11 PM, November 16th, 1959. Jonny Deep recita Kerouac:
Allen Ginsberg lê o seu poema "America"
America America I've given you all and now I'm nothing. I'm addressing you. Asia is rising against me. America how can I write a holy litany in your silly mood? Lembro-me...
Do meu pai ter um disco de 78 rpm ( daqueles que se partiam facilmente... ) com a canção da Madelon e de estarmos proíbidos de o ouvir... quando perguntei porquê a minha avó disse-me que ela era uma "menina que se portava mal". Fiquei sem perceber pois o "portar mal" para mim estava todo explicadinho "Nos desastres de Sofia" La Madelon Pour le repos, le plaisir du militaire, 5月15日 Gosto do Camané Não sou, nem nunca fui grande apreciadora de fado. A minha atitude face à "canção nacional" tem-se vindo a alterar com novos fadistas nos quais incluo o Camané. Escutem-no neste fado que Alan Oulman compôs para a Amália Rodrigues e que, vamos lá saber porquê, nunca foi por ela cantado. 5月9日 Passatempo para o fim de semana
Descubram, na famosa capa do álbum dos Beatles - Sgt. Pepper (desenhada por Peter Blake em 1967) onde estão as pessoas que indico:
Podem clicar na imagem para aumentar. A ideia surgiu ao ler "A miscelânea original de Scott" (Asa) que referi num outro post. A lista está na pág.68 da versão portuguesa. No tempo dos crooners(ao Tó que me enviou uma versão cover...) Confesso que existe ( e persiste...) em mim um certo romantismo ligado aos crooners. Já não tenho idade para negar evidências. Na adolescência classifiquei-os de "pirosos". Hoje gosto de os ouvir e, por vezes, associo-os a ambientes que vão de Agatha Christie a James Bond... Tenho para os vossos ouvidos Matt Monro numa canção lindissima.
The Impossible Dream To dream the impossible dream,
Na caixa do email
Obrigada Tó, por não te esqueceres que gosto muito da Lhasa de Sela. Os amigos são assim, atentos. 5月6日 Familiaridade(s)
Advertência ao leitor: poderá escolher o sentido do termo por mim utilizado como cabeçalho em 1 e 3... nunca o 2.Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Tomo II, pág.1692 Tive um tio (pelo segundo casamento do meu pai) que era comandante da marinha mercante. Lembro-me de saber que viajava muito e por terras muito frias e estava ausente vários meses. Por comermos sempre bacalhau quando o íamos visitar e porque na altura esse peixe não fazia parte dos meus "fiéis amigos", quando um dia ousei reclamar disseram-me que o tio andava na pesca do bacalhau. Para que a justiça e posição social fosse logo ali reposta informaram-me que o tio não era pescador mas sim "o comandante", o que percebi de imediato pela forma elegante com que vestia e pela verborreia. Sim, não exagero quando escrevo verborreia. Falava sobre todos os assuntos do conhecimento. Desde a Astrologia à Zoologia. Sabia coisas que iam da distância "exacta" entre os planetas, à cor da cobra mais venenosa do pantanal amazónico à altura da árvore mais alta do mundo, incluindo o perímetro da respectiva copa. Também sabia História Universal. Exemplo: quantos degraus tem a entrada principal do "palais" de Versalhes ou qual a distância entre uma margem e a outra na segunda curva do rio Tamisa. Quando ele começava a falar notei que os presentes faziam um silêncio cerimonioso. Por vezes confrangedor. Um dia interrompi as suas famosos descrições fazendo uma pergunta directa, daquelas que alguém possuidor de tão imensa "cultura" responderia com a maior facilidade (acreditava eu): "há camarotes para os pescadores dormirem?". Resposta imediata: não! Com a teimosia infantil, perguntei:" então porquê,tio?". Notei que o seu semblante tinha mudado o que me deixou um pouco intimidade. A resposta veio rápida: "porque não!" De repente, um outro tio, esse muito ousado e sagaz, respondeu:" ele não sabe responder pois está à espera da nova edição do Almanaque Bertrand que lerá na próxima viagem!" Quando regressavamos a casa explicou-me que o outro tio tinha um tipo de cultura que se chamava de "almanaque". A partir daí sempre que na televisão aparecem uns concursos com perguntas que obrigam a conhecimentos que identifico como de "almanaque", recordo em silêncio o "circo cultural" que eram aqueles jantares em casa do meu tio. Conhecem a "Schott's Original Miscellany" de Ben Schott? Diz a recensão crítica (desculpem não traduzir): Schott's Original MiscellanyWhy is it such a page turner?In how many countries is voting compulsory? Can you name all the Bronte sisters? And what exactly does BHM stand for in the world of dating?The back cover of this fascinating book, published in 2002, quotes Oscar Wilde: ‘It is a very sad thing that nowadays there is so little useless information.’ Ben Schott’s mission is to remedy this situation with this ingenious round up of trivia from all walks of life. This is one of those books that we pick up as an afterthought, to leaf idly through in a spare five minutes. Half an hour later we are still engrossed in it. On the face of it, this is a mystery. A list of decathlon events, types of sushi and commonly misspelled words have no appeal in themselves. So why is Schott’s Original Miscellany such a page-turner? Firstly, it does contain some highly original and genuinely remarkable information. How many of us had ever come across Ambrose Bierce’s Demon’s Dictionary? It is Schott who introduces us to some of Bierce’s witticisms: Achievement is defined as ‘the death of endeavour and the birth of disgust'; a coward as ‘one who in a perilous emergency thinks with his legs’. Schott runs the gamut of trivia from a glossary of text emoticons to a list of unusual phobias (catagelophobia is a fear of being ridiculed), right through to The Glasgow Coma Scale (1 is no motor response, 6 means the patient obeys commands). Entries such as the list of Doctors Who and UK Christmas Number One Singles appeal to our nostalgia, even if it is only to screech ‘I remember that - it was awful! So why is it that we find that, in spite of ourselves, we then start poring over the complete list of wedding anniversaries, the words to the National Anthem and a list of choice chemical acronyms? The key is in the layout. At 159 pages, it is an extremely easy volume to leaf through, with four or five entries per double page. This makes coming upon a genuinely fascinating list highly likely. Once absorbed in an entry, we relax and the instinct to flick through takes over. We think to ourselves: surely there must be more interesting facts and figures hidden elsewhere here. I’ll just have a quick look… Ben Schott has edited his entries cleverly; none are too long. This merely adds to the impulse to scan through. Having put us in an open frame of mind, he then inserts entries detailing the various types of polygon and antiquarian paper sizes, side by side with untimely pop star deaths and a glossary of cockney rhyming slang. Because we are now both relaxed and inquisitive, these seemingly dry topics now take on an eccentric appeal that is impossible to resist. This is the perfect present for anyone who loves trivia. Para os que preferirem podem adquirir a edição portuguesa (€13.00): " A miscelânea original de Schott's". Asa:Lisboa,2008. (ISBN 978-972-41-5236-3) Vantagem: adaptada ao nosso país. Sabem qual é o 23º dos 33 graus da hierarquia maçónica? Resposta: Chefe do Tabernáculo E hoje, fico por aqui. Gosto do Donovan
Catch The Wind In the chilly hours and minutes 5月5日 Mãe
Maggie, em 1924 A minha mãe, Maggie Pinto Barbosa Cascais, Lisboa (Abril,2008) O "Dia da Mãe" como o "Dia dos Namorados", desde que passaram a ser massificados, são feios. Quando o sentimento começou a alimentar o comércio para "acalmar" as crises, quando uma proliferação de objectos, que nada têm de pessoal, surgem nas montras com frases do tipo "Adoro-te mãezinha!" sou acometida de fúria destruidora. Quando os filhos (talvez por força das telenovelas, não me refiro ao National Geographic Channel...) passaram a ser tratados por "filhotes" fico num estado de "tolerância zero". Quando as meninas são tratadas por "princesas" e os rapazes por "campeões" apetece-me defenestrar "Barbies" e "Ken's" e deitar as Play Stations para o lixo. Felizmente que o meu filho sempre me ofereceu coisas simples feitas por ele e jamais me passou pela cabeça ser tratada "por adorada". Também nunca tive namorados que gastassem um cêntimo com produtos "próprios para a data". Nessa época não tinhamos dinheiro para gastar em parvoíces, nem a data tão pouco era comemorada. Nas revistas americanas via os anúncios do "Valentines day" que para mim eram "irreais". Tudo se passava num mundo de valores que não era, nem são, os meus. Ontem passei o dia junto da minha mãe. Ouvi as histórias que ela sempre tem para me contar. Fui eu a premiada. Para quem gosta de poesia, fica aqui um poema de Carlos Drummond de Andrade, de que gosto muito. Sempre Porque Deus permite Carlos Drummond de Andrade, Antologia Poética. O meu primeiro dia de aulas. Margarida pela mão da mãe. (Luanda, 1953)
5月2日 Salut les copains!
Entramos no mês de Maio. 40 anos depois do Maio de 68. Para relembrar a data estão a ser publicados testemunhos, livros, etc. Deles darei conta sempre que tiver oportunidade. A minha geração faz contas à vida (ou às vidinhas...). Ficaram alguns "compagnons de route". Em Portugal a "primavera Marcelista" ainda não tinha chegado. Nunca acreditei nem tive esperança que dali viesse qualquer coisa de bom. O ar "primaveril" que se anunciava pareceu-me sempre saturado. Cheirava a mofo. Vou aproveitar este mês para falar do "meu" Maio de 68. Recebo notícias da Association Georges Perec, a que aderi há alguns anos, dizendo que o Le Monde criou uma coluna que, parafraseando o livro de Perec, mas reportando-se às memórias do Maio de 68, se intitula :"Je me souviens" Começo as minhas recordações de Maio de 68 em tom provocatório. Lembro-me de ..." todos ficarem aborrecidos por eu não gostar de Daniel Cohen-Bendit". Ainda hoje não gosto. Lembro-me de ..." alguns colegas da Faculdade receberem com grande admiração um colega (português) que tinha estado na ocupação da Sorbonne." |
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