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日志


De coração...

 

Muito feminino. Précieux. Sensível. Cute. (etc...)

cadeira.pes

5月23日

Canção e imagem

 

Para H.

 

A canção de Jean Ferrat e a pintura neo-impressionista do pintor russo  Vladimir Shcherbinin fazem um excelente conjunto.

Para os que não se interessarem pela pintura e se lhes apetecer fazer uma viagem no tempo... cliquem aqui e vejam o Ferrat (a cantar) tal como alguns de nós o conheceram.

La montagne

Paroles et Musique: Jean Ferrat   1964 "Jean Ferrat - Vol.1 (1999)"

Ils quittent un à un le pays
Pour s'en aller gagner leur vie
Loin de la terre où ils sont nés
Depuis longtemps ils en rêvaient
De la ville et de ses secrets
Du formica et du ciné
Les vieux ça n'était pas original
Quand ils s'essuyaient machinal
D'un revers de manche les lèvres
Mais ils savaient tous à propos
Tuer la caille ou le perdreau
Et manger la tomme de chèvre
Pourtant que la montagne est belle
Comment peut-on s'imaginer
En voyant un vol d'hirondelles
Que l'automne vient d'arriver ?
Avec leurs mains dessus leurs têtes
Ils avaient monté des murettes
Jusqu'au sommet de la colline
Qu'importent les jours les années
Ils avaient tous l'âme bien née
Noueuse comme un pied de vigne
Les vignes elles courent dans la forêt
Le vin ne sera plus tiré
C'était une horrible piquette
Mais il faisait des centenaires
A ne plus que savoir en faire
S'il ne vous tournait pas la tête
Pourtant que la montagne est belle
Comment peut-on s'imaginer
En voyant un vol d'hirondelles
Que l'automne vient d'arriver ?
Deux chèvres et puis quelques moutons
Une année bonne et l'autre non
Et sans vacances et sans sorties
Les filles veulent aller au bal
Il n'y a rien de plus normal
Que de vouloir vivre sa vie
Leur vie ils seront flics ou fonctionnaires
De quoi attendre sans s'en faire
Que l'heure de la retraite sonne
Il faut savoir ce que l'on aime
Et rentrer dans son H.L.M.
Manger du poulet aux hormones
Pourtant que la montagne est belle
Comment peut-on s'imaginer
En voyant un vol d'hirondelles
Que l'automne vient d'arriver ?

5月21日

No tempo do Desafinado

 

Ouvi pela primeira vez João Gilberto em 1962. Vivia ainda em Luanda e o pintor Albano Neves e Sousa, que tinha sido colega do meu pai nas Belas Artes, grande apaixonado pelo Brasil (acabou por falecer, muitos anos mais tarde, em S. Salvador da  Baía onde se fixou), trouxe de uma viagem um LP de João Gilberto. Estava perante um tipo de música que, sendo brasileira, era muito diferente da outra lamecha e chorada que eu detestava. Desse LP fazia parte "Maria Ninguém" ( que ouvi repetidas vezes) e o "Desafinado". Foi amor à primeira vista. Um tipo de amor "para sempre". Aqui fica para ouvirem com carinho.

 

Desafinado - João Gilberto

Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de anti-musical
Eu mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é bossa-nova, isto é muito natural
O que você não sabe nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Roleiflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão
Só não poderá falar assim do meu amor
Este é o maior que você pode encontrar
Você com sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração

5月20日

O Zoo fechou

 

Não. Não é esse. Podem continuar a levar as criancinhas a ver os animais enjaulados, os golfinhos saltadores e o lobo marinho beijoqueiro. Refiro-me ao Zoo Bizarro blog de minha muita estima.

O autor, o JG, tantas vezes aqui citado após "rapinanços" da Cuca, abriu as portas das jaulas e libertou a bicharada. Este homem dá cabo do meu coração afeiçoado! De vez em quando farta-se ou cansa-se ou...sei lá. ( "Sei lá" é doença do foro do "lá"). Já tinha carpido lágrimas quando do encerramento do "Blog da Sabedoria". Depois acedi a ir ao Zoo. Agora o tratador fecha-o.Bicharada à solta.

Ficam mais blogs do JG para visitarmos. Aqui vão os endereços:

Século Prodigioso

Light My Life

Cá por mim vou continuar a segui-lo.

patos

 

Wittgenstein cantado

 

wittgenstein 

Ludwig Wittgenstein (1889-1951)

Há filósofos que nos "seguem". Para não confundirem com alguma pseudo imodéstia tive o cuidado de colocar aspas... Estudei Wittgenstein. Li muito sobre o filósofo. Como se costuma dizer de algumas coisas gostei de outras não gostei nada. Sem meio termo que em filosofia não existe. Wittgenstein começou a "seguir-me" quando descobri através do Tratactus que cada uma das proposições (aforismos, fragamentos)  permitia multiplas reflexões e um prazer estético muito semelhante ao que sinto ao ler poesia.

Por uma qualquer coincidência encontrei o blog "Escrito a Lápis" de João Barrento, professor, ensaista, escritor, tradutor ... que muito estimo e que vou acompanhando graças à editora Cotovia e ao que vem publicando quer no "JL" quer noutras colunas de jornais. Recentemente adquiri os dois volumes do "Homem sem Qualidades" ( Edições D.Quixote ) que traduziu. Sem qualquer dúvida, bem. Após leitura de alguns posts sobre Maria Gabiela LLansol ( de grande interesse para se entender a obra da escritora ) encontrei, com data de 09 de Fevereiro de 2008, um outro: Wittgeinstein: s(w)inging the Tractatus que transcrevo:

"As grandes obras do pensamento, da arte, da literatura, são tolerantes e abertas. Com elas pode-se fazer muita coisa, desde que as não reduzamos a um uso estreito, meramente «culinário», como dizia Brecht, que destas coisas sabia e fazia muito. O Tratado Lógico-Filosófico de Wittgenstein, publicado em 1921 depois de ter sido recusado por um júri da Universidade de Viena, é uma daquelas obras, hoje quase míticas, que viraram do avesso a tradição filosófica ao instituir um linguistic turn que haveria de ter enormes consequências e desenvolvimentos na filosofia e na linguística, na literatura e até na música, como adiante se verá. O ponto de partida de Wittgenstein foi um postulado tão simples e apodíctico como os do Tratado: «Toda a filosofia é crítica da linguagem».
O segundo momento revolucionário do Tratado é a sua própria forma de apresentação, em proposições e subproposições encadeadas, mas não necessariamente dependentes em termos de premissa e conclusão, como acontece noutros «Tratados» de estrutura semelhante, mas mais rígida (por exemplo a Ética de Espinosa, construída more geometrico, mas ainda assim permitindo múltiplas leituras e apropriações). As proposições do Tratado de Wittgenstein podem ler-se com uma autonomia relativa, como linhas e estrofes de um longo poema, numa sequência de imagens (de pensamento) rigorosas e cristalinas. A este propósito o autor escreve numa carta de 1919: «A obra é estritamente filosófica e ao mesmo tempo literária, mas não há nela qualquer devaneio.» E numa outra, do mesmo ano, esclarece que existe uma componente literária do Tratado que, no entanto «não está lá» (é o seu reverso «místico», ou o silêncio em que desagua a última proposição, soberanamente só e sempre citada: «Aquilo de que se não pode falar tem de se deixar em silêncio»).

Nesta segunda carta refere-se ainda outro aspecto central em Wittgenstein: se a forma do Tratado (próxima do aforismo ou do fragmento) é o seu lado estético, a consciência dos limites da linguagem nele expressa é a forma própria da sua ética. Ouçamos o que Wittgenstein escreve: «O sentido do livro é ético. – Queria incluir no prefácio uma frase que acabou por não ficar, mas que agora lhe escrevo, porque talvez lhe forneça uma chave. O que eu queria escrever era que esta minha obra consta de duas partes: aquela que aqui está, mais tudo aquilo que eu não escrevi. E precisamente esta segunda parte é que é importante... Em suma, creio que pus no meu livro tudo aquilo que muitos hoje dizem de forma fantasiosa, na medida em que silencio tudo isso...»

 Numminen-capa

 

Ficam aqui as primeiras três songs da «TractatuForam estas (e algumas mais) razões que um dia levaram um compositor finlandês, M. A. Numminen, a ordenar em songs algumas proposições-chave, pondo assim o Tratado de Wittgenstein a... cantar. A história remonta aos idos de sessenta, quando Numminen, ainda estudante, gravou as duas primeiras songs na cantina da universidade de Turku, apenas com um microfone e em estilo de falsete cultivado que se transformou no seu modo inconfundível de, num misto de seriedade e humor (que não é estranho ao próprio Wittgenstein), despertar o interesse para esta obra do filósofo.s-Suite», apresentada em versão completa em Estocolmo em 1988 e gravada em CD em 1989.
O texto, em inglês, é o das seguintes proposições do Tractatus:
Song 1: 1, 1.1, 1.11, 1.2, 1.21, 2, 2.01, 2.011, 2.012
Song 2: 2.1, 2.12, 2.141, 2.223, 2.224, 2.225, 3, 3.04, 3.32, 3.328
Song3: 4, 4.001, 4.002, 4.01, 4.022, 4.111, 4.115, 4.116, 4,1212"


O texto português pode encontrar-se na tradução de M. S. Lourenço: Tratado Lógico-Filosófico e Investigações Filosóficas. Fundação C. Gulbenkian, 1987."

 
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Com este post e com o post de João Barrento esta terça-feira de chuva transformou-se num dia luminoso. É sempre assim quando descobrimos algo bom.

5月19日

A Beat Generation e uma dupla imperdível

 

A obra de Jack Kerouac , os poemas de Gregory Corso e de Allen Ginsberg contribuiram para que descobrisse uma outra América que Sinclair Lewis, Steinbeck ou William Faulkner nunca me transmitiram. Li-a numa idade de crise de valores e da confirmação de que a hipocrisia de uma nação era proporcional à sua dimensão. Estes autores tal como os da Angry Generation em Inglaterra atreviam-se a quebrar valores a ir para além do vulgarmente permitido. Estavam do lado de lá de tudo. O entusiasmo que me provocava a sua leitura não excluiu nunca a perspectiva critica que fazia das suas vidas. Kerouac morreu em 1969. Ginsberg sobreviveu-lhe muitos anos. Recordo que para o fim da sua vida assisti a intervenções suas no minimo patéticas e até reacionárias. Mas não me arrependo de os ter conhecido pela obra e pelo legado que deixaram. Pelo espírito, pelo não conformismo, pela luta por uma "causa" que, de certa forma, abalava e consciencializava a América.

Jack Karouac com o pianista Steve Allen que acompanha a sua leitura.

 

Sobre a o vídeo e a obra de Kerouac " On the Road" ( traduzida para português com o título " Pela estrada fóra" ( Ulisseia, na 1ª edição ) retirei o seguinte trecho:

After an interview, Jack Kerouac reads his reason for writing while accompanied by pianist Steve Allen. The original 7 minute appearance was from a portion of "The Steve Allen Plymouth Show" - Season 5, Episode 7; a two hour commercial broadcast initially airing Monday night, around 11 PM, November 16th, 1959.
-
This is a few minutes edited from the 112 minute documentary "Jack Kerouac - King of the Beats". Several related scenes and simple transitional titleing effects to fill it out were combined to create a short film with its own identity. My regretful decision to leave out of the interview 3 scenes from other resources lasting about 30 seconds was due to my inexperience in resolving quality issues with editing software.
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There's a convoluted back story about what's actually being read during this presentation, and it's the reason care was taken in the way the title and description were worded.
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For example, near the end of the second to last scene of the final two scenes, the last paragraph of "On The Road" is being read verbatim, from "So, in America [4:21] . [to] . [5:27] I think of Dean Mor-i-ar-ty."; while the whole time reading from the front at the very front inside cover of the book. And prior to this, he's doing a mashup of other text with another work, including "On The Road" when speaking of the border in Colorado. From "I was traveling west [2:16] . [to] . [3:04] report you well and truly.", it appears he's riffing on a paraphrasing of, "As we crossed the Colorado-Utah border I saw God in the sky in the form of huge gold sunburning clouds above the desert that seemed to point a finger at me and say, 'Pass here and go on, you're On The Road to heaven.'" [Page 171, paragraph 7, chapter 1, part 3 in the 1985 Penguin 14th edition.]
-
Some insight into this interview with Steve Allen can be read in Kerouac's thinly veiled autobiographical account in "Big Sur" and the Paul Maher - David Amram book, "Kerouac: The Defnitive Biography".
Filmography:
1959 "Pull My Daisy" or "The Beat Generation" A 30 minute silent film, written and narrated by Kerouac (Italian Subtitles), starring Ginsberg, Corso and others; located at:
http://video.google.com/videoplay?doc...
Bibliography:
1950 "The Town and the City" A traditional novelization of his family's disintegration in Lowell, Massachusettes.
1957 "On the Road" The friendship between Dean Moriarty [Neal Cassady, Jr.] and Sal [Jack Kerouac] during four cross-country round trips. This was written in 1951, constantly changed and finally published in 1957. There were probably five variations written in the late 1940's, "On the Road" being the final title of one of the three versions eventually published; the other two being "Pic" 1971 and "Visions of Cody" 1973. The book is read the way the spoken word would sound, resembling a jazz composition, and is considered to be his masterpiece.
1958 "The Dharma Bums" A search for enlightenment through Zen Buddhism.
1958 "The Subterraneans" His confessional of a failed relationship with a black woman.
1959 "Doctor Sax" A fictionalized version of Kerouac's childhood.
1959 "Maggie Cassidy" A romance with his girl friend, Maggie.
1959 "Mexico City Blues" Poetic Collections.
1960 "Tristessa" His relationship with a Mexican prostitute addicted to morphine.
1960 "Lonesome Traveler" Travel sketches and an autobiographical introduction.
1960 "The Scripture of the Golden Eternity"
1961 "Book of Dreams" Stream of consciousness fantasies.
1962 "Big Sur" A fictionalized reflection on his celebrity status as a leader of the Beat Generation.
1963 "Visions of Gerard" Kerouac's childhood in Lowell, Massachusetts; and the traumatic death of his older brother.
1965 "Desolation Angels" Reflections as a fire lookout in the Washington mountains and his travels in the US, Mexico and Morocco.
1966 "Satori in Paris" Kerouac's travels in France to research his family heritage.
1968 "The Vanity of Duluoz" A Coming of Age autobiography.
1971 "Pic" The first work to be published after his death in 1969 is about a black musician traveling from the South to Harlem.
1971 "Scattered Poems" Underground literary works, including text variations of his 30 minute film, "Pull My Daisy".
1973 "Old Angel Midnight"
1973 "Visions of Cody" A revision of "On The Road", published after his death and originally written in the 1950's, includes an introduction by Allen Ginsberg. Kerouac had very seriously considered this version to be published as "On The Road".
1977 "Heaven and Other Poems" 1958
1991 "San Francisco Blues" 1954
1992 "Poems All Sizes" 1960
1993 "Good Blonde and Others" 1955
1995 "Book of Blues"
1997 "Some of the Dharma" 1954
1999 "Atop an Underwood" 1930's
2000 "Orpheus Emerged" 1945

Jonny Deep recita Kerouac:

 

Allen Ginsberg lê o seu poema "America"

 

America

America I've given you all and now I'm nothing.
America two dollars and twenty-seven cents January 17, 1956.
I can't stand my own mind.
America when will we end the human war?
Go fuck yourself with your atom bomb
I don't feel good don't bother me.
I won't write my poem till I'm in my right mind.
America when will you be angelic?
When will you take off your clothes?
When will you look at yourself through the grave?
When will you be worthy of your million Trotskyite's?
America why are your libraries full of tears?
America when will you send your eggs to India?
I'm sick of your insane demands.
When can I go into the supermarket and buy what I need with my good looks?
America after all it is you and I who are perfect not the next world.
Your machinery is too much for me.
You made me want to be a saint.
There must be some other way to settle this argument.
Burroughs is in Tangiers I don't think he'll come back it's sinister.
Are you being sinister or is this some form of practical joke?
I'm trying to come to the point.
I refuse to give up my obsession.
America stop pushing I know what I'm doing.
America the plum blossoms are falling.
I haven't read the newspapers for months, everyday somebody goes on trial for
murder.
America I feel sentimental about the Wobblies.
America I used to be a communist when I was a kid and I'm not sorry.
I smoke marijuana every chance I get.
I sit in my house for days on end and stare at the roses in the closet.
When I go to Chinatown I get drunk and never get laid.
My mind is made up there's going to be trouble.
You should have seen me reading Marx.
My psychoanalyst thinks I'm perfectly right.
I won't say the Lord's Prayer.
I have mystical visions and cosmic vibrations.
America I still haven't told you what you did to Uncle Max after he came over
from Russia.

I'm addressing you.
Are you going to let our emotional life be run by Time Magazine?
I'm obsessed by Time Magazine.
I read it every week.
Its cover stares at me every time I slink past the corner candystore.
I read it in the basement of the Berkeley Public Library.
It's always telling me about responsibility. Businessmen are serious. Movie
producers are serious. Everybody's serious but me.
It occurs to me that I am America.
I am talking to myself again.

Asia is rising against me.
I haven't got a chinaman's chance.
I'd better consider my national resources.
My national resources consist of two joints of marijuana millions of genitals
an unpublishable private literature that goes 1400 miles and hour and
twentyfivethousand mental institutions.
I say nothing about my prisons nor the millions of underpriviliged who live in
my flowerpots under the light of five hundred suns.
I have abolished the whorehouses of France, Tangiers is the next to go.
My ambition is to be President despite the fact that I'm a Catholic.

America how can I write a holy litany in your silly mood?
I will continue like Henry Ford my strophes are as individual as his
automobiles more so they're all different sexes
America I will sell you strophes $2500 apiece $500 down on your old strophe
America free Tom Mooney
America save the Spanish Loyalists
America Sacco & Vanzetti must not die
America I am the Scottsboro boys.
America when I was seven momma took me to Communist Cell meetings they
sold us garbanzos a handful per ticket a ticket costs a nickel and the
speeches were free everybody was angelic and sentimental about the
workers it was all so sincere you have no idea what a good thing the party
was in 1935 Scott Nearing was a grand old man a real mensch Mother
Bloor made me cry I once saw Israel Amter plain. Everybody must have
been a spy.
America you don're really want to go to war.
America it's them bad Russians.
Them Russians them Russians and them Chinamen. And them Russians.
The Russia wants to eat us alive. The Russia's power mad. She wants to take
our cars from out our garages.
Her wants to grab Chicago. Her needs a Red Reader's Digest. her wants our
auto plants in Siberia. Him big bureaucracy running our fillingstations.
That no good. Ugh. Him makes Indians learn read. Him need big black niggers.
Hah. Her make us all work sixteen hours a day. Help.
America this is quite serious.
America this is the impression I get from looking in the television set.
America is this correct?
I'd better get right down to the job.
It's true I don't want to join the Army or turn lathes in precision parts
factories, I'm nearsighted and psychopathic anyway.
America I'm putting my queer shoulder to the wheel.

ginsberg

Lembro-me...

 

Do meu pai ter um disco de 78 rpm ( daqueles que se partiam facilmente... ) com a canção da Madelon e de estarmos proíbidos de o ouvir... quando perguntei porquê a minha avó disse-me que ela era uma "menina que se portava mal". Fiquei sem perceber pois o "portar mal" para mim estava todo explicadinho "Nos desastres de Sofia"condessa-de-segur  Condessa de Ségur. Vá lá a gente entender os adultos!

 

La Madelon

Pour le repos, le plaisir du militaire,
Il est là-bas à deux pas de la forêt
Une maison aux murs tout couverts de lierre
"Aux Tourlourous" c'est le nom du cabaret.
La servante est jeune et gentille,
Légère comme un papillon.
Comme son vin son œil pétille,
Nous l'appelons la Madelon
Nous en rêvons la nuit, nous y pensons le jour,
Ce n'est que Madelon mais pour nous c'est l'amour
{Refrain:}
Quand Madelon vient nous servir à boire
Sous la tonnelle on frôle son jupon
Et chacun lui raconte une histoire
Une histoire à sa façon
La Madelon pour nous n'est pas sévère
Quand on lui prend la taille ou le menton
Elle rit, c'est tout le mal qu'elle sait faire
Madelon, Madelon, Madelon !
Nous avons tous au pays une payse
Qui nous attend et que l'on épousera
Mais elle est loin, bien trop loin pour qu'on lui dise
Ce qu'on fera quand la classe rentrera
En comptant les jours on soupire
Et quand le temps nous semble long
Tout ce qu'on ne peut pas lui dire
On va le dire à Madelon
On l'embrasse dans les coins. Elle dit "veux-tu finir..."
On s'figure que c'est l'autre, ça nous fait bien plaisir.
{au Refrain}
Un caporal en képi de fantaisie
S'en fut trouver Madelon un beau matin
Et, fou d'amour, lui dit qu'elle était jolie
Et qu'il venait pour lui demander sa main
La Madelon, pas bête, en somme,
Lui répondit en souriant :
Et pourquoi prendrais-je un seul homme
Quand j'aime tout un régiment ?
Tes amis vont venir. Tu n'auras pas ma main
J'en ai bien trop besoin pour leur verser du vin
{au Refrain}

5月15日

Gosto do Camané

Não sou, nem nunca fui grande apreciadora de fado. A minha atitude face à "canção nacional" tem-se vindo a alterar com novos fadistas nos quais incluo o Camané.
Escutem-no neste fado que Alan Oulman compôs para a Amália Rodrigues e que, vamos lá saber porquê, nunca foi por ela cantado.

 
5月9日

Passatempo para o fim de semana

 

sgt_pepper_cover

Descubram, na famosa capa do  álbum dos Beatles - Sgt. Pepper (desenhada por Peter Blake em 1967) onde estão as pessoas que indico:

Aleister Crowley Tony Curtis Marlon Brando
Mae West Wallace Berman Tom Mix
Lenny Bruce Tommy Handley Albert Einstein
Karlheinz Stockhausen Marilyn Monroe Oscar Wilde
W.C.Fields William Burroughs Tyrone Power
Carl Gustav Jung Edgar Allan Poe Fred Astaire
Karl Marx H.G.Wells Dylan Thomas
Lewis Carrol Bob Dylan T.E.Lawrence
Aldous Huxley George Bernard Shaw Diana Dors
Shirley Temple Marlene Dietrich Max Miller

Podem clicar na imagem para aumentar.

A ideia surgiu ao ler "A miscelânea original de Scott" (Asa) que referi num outro post. A lista está na pág.68 da versão portuguesa.

No tempo dos crooners

(ao Tó que me enviou uma versão cover...)

Confesso que existe ( e persiste...) em mim um certo romantismo ligado aos crooners. Já não tenho idade para negar evidências. Na adolescência classifiquei-os de "pirosos". Hoje gosto de os ouvir e, por vezes, associo-os a ambientes que vão de Agatha Christie a James Bond...

Tenho para os vossos ouvidos Matt Monro numa canção lindissima.

 

 

The Impossible Dream

To dream the impossible dream,
to fight the unbeatable foe,
to bear with unbearable sorrow,
to run where the brave dare not go.
To right the unrightable wrong,
to love pure and chaste from afar,
to try when your arms are too weary,
to reach the unreachable star.
This is my quest,
to follow that star --
no matter how hopeless,
no matter how far.
To fight for the right
without question or pause,
to be willing to march into hell for a heavenly cause.
And I know if I'll only be true to this glorious quest
that my heart will be peaceful and calm when I'm laid to my rest.
And the world will be better for this,
that one man scorned and covered with scars
still strove with his last ounce of courage.
To reach the unreachable stars.

 

Grafofoni-Columbia-1920-Posters

(Allposters)

Na caixa do email

 

Obrigada Tó, por não te esqueceres que gosto muito da Lhasa de Sela. Os amigos são assim, atentos.

 
5月6日

Familiaridade(s)

 

Advertência ao leitor: poderá escolher o sentido do termo por mim utilizado como cabeçalho em 1 e 3... nunca o 2.

houaiss2 

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Tomo II, pág.1692

Tive um tio (pelo segundo casamento do meu pai) que era comandante da marinha mercante. Lembro-me de saber que viajava muito e por terras muito frias e estava ausente vários meses. Por comermos sempre bacalhau quando o íamos visitar e porque na altura esse peixe não fazia parte dos meus "fiéis amigos", quando um dia ousei reclamar disseram-me que o tio andava na pesca do bacalhau. Para que a justiça e posição social fosse logo ali reposta informaram-me que o tio não era pescador mas sim "o comandante", o que percebi de imediato pela forma elegante com que vestia e pela verborreia. Sim, não exagero quando escrevo verborreia. Falava sobre todos os assuntos do conhecimento. Desde a Astrologia à Zoologia. Sabia coisas que iam da distância "exacta" entre os planetas, à cor  da cobra mais venenosa do pantanal amazónico à altura da árvore mais alta do mundo, incluindo o perímetro da respectiva copa. Também sabia História Universal. Exemplo: quantos degraus tem a entrada principal do "palais" de Versalhes ou qual a distância entre uma margem e a outra na segunda curva do rio Tamisa. Quando ele começava a falar notei que os presentes faziam um silêncio cerimonioso. Por vezes confrangedor. Um dia interrompi as suas famosos descrições fazendo uma pergunta directa, daquelas que alguém possuidor de tão imensa "cultura" responderia com a maior facilidade (acreditava eu): "há camarotes para os pescadores dormirem?". Resposta imediata: não! Com a teimosia infantil, perguntei:" então porquê,tio?". Notei que o seu semblante tinha mudado o que me deixou um pouco intimidade. A resposta veio rápida: "porque não!" De repente, um outro tio, esse muito ousado e sagaz, respondeu:" ele não sabe responder pois está à espera da nova edição do Almanaque Bertrand que lerá na próxima viagem!" Quando regressavamos a casa explicou-me que o outro tio tinha um tipo de cultura que se chamava de "almanaque". A partir daí sempre que na televisão aparecem uns concursos com perguntas que obrigam a conhecimentos que identifico como de  "almanaque", recordo em silêncio o "circo cultural" que eram aqueles jantares em casa do meu tio.

Conhecem a "Schott's Original Miscellany" de Ben Schott?

Diz a recensão crítica (desculpem não traduzir):

Schott's Original Miscellany

Why is it such a page turner?

© Harriet Morris

Jun 4, 2007

In how many countries is voting compulsory? Can you name all the Bronte sisters? And what exactly does BHM stand for in the world of dating?

The back cover of this fascinating book, published in 2002, quotes Oscar Wilde: ‘It is a very sad thing that nowadays there is so little useless information.’ Ben Schott’s mission is to remedy this situation with this ingenious round up of trivia from all walks of life.

This is one of those books that we pick up as an afterthought, to leaf idly through in a spare five minutes. Half an hour later we are still engrossed in it. On the face of it, this is a mystery. A list of decathlon events, types of sushi and commonly misspelled words have no appeal in themselves. So why is Schott’s Original Miscellany such a page-turner?

Firstly, it does contain some highly original and genuinely remarkable information. How many of us had ever come across Ambrose Bierce’s Demon’s Dictionary? It is Schott who introduces us to some of Bierce’s witticisms: Achievement is defined as ‘the death of endeavour and the birth of disgust'; a coward as ‘one who in a perilous emergency thinks with his legs’. Schott runs the gamut of trivia from a glossary of text emoticons to a list of unusual phobias (catagelophobia is a fear of being ridiculed), right through to The Glasgow Coma Scale (1 is no motor response, 6 means the patient obeys commands).

Entries such as the list of Doctors Who and UK Christmas Number One Singles appeal to our nostalgia, even if it is only to screech ‘I remember that - it was awful!

So why is it that we find that, in spite of ourselves, we then start poring over the complete list of wedding anniversaries, the words to the National Anthem and a list of choice chemical acronyms?

The key is in the layout. At 159 pages, it is an extremely easy volume to leaf through, with four or five entries per double page. This makes coming upon a genuinely fascinating list highly likely. Once absorbed in an entry, we relax and the instinct to flick through takes over. We think to ourselves: surely there must be more interesting facts and figures hidden elsewhere here. I’ll just have a quick look…

Ben Schott has edited his entries cleverly; none are too long. This merely adds to the impulse to scan through. Having put us in an open frame of mind, he then inserts entries detailing the various types of polygon and antiquarian paper sizes, side by side with untimely pop star deaths and a glossary of cockney rhyming slang. Because we are now both relaxed and inquisitive, these seemingly dry topics now take on an eccentric appeal that is impossible to resist.

This is the perfect present for anyone who loves trivia.

Schott's 1

Para os que preferirem podem adquirir a edição portuguesa (€13.00): " A miscelânea original de Schott's". Asa:Lisboa,2008. (ISBN 978-972-41-5236-3)

Vantagem: adaptada ao nosso país.

Sabem qual é o 23º dos 33 graus da hierarquia maçónica?

Resposta: Chefe do Tabernáculo

E hoje, fico por aqui.

Gosto do Donovan

 

 

 

Catch The Wind

In the chilly hours and minutes

Of uncertainty

I want to be

In the warm hold of your loving mind.



To feel you all around me

And to take your hand

Along the sand

Ah, but I may as well try and catch the wind.



When sundown pales the sky

I wanna hide a while

Behind your smile

And everywhere I'd look, your eyes I'd find.



For me to love you now

Would be the sweetest thing,

T'would make me sing

Ah, but I may as well try and catch the wind.



Dee dee da da la da da da da da

Ya da da, da da, da da



When rain has hung the leaves with tears

I want you near

To kill my fears

To help me to leave all my blues behind.



For standing in your heart

Is where I wanna be

And I long to be,

Ah, but I may as well try and catch the wind.



Ah, but I may as well try and catch the wind

5月5日

Mãe

 

Mãe_1924

Maggie, em 1924

Mãe_abril_2008

A minha mãe, Maggie Pinto Barbosa Cascais, Lisboa (Abril,2008)

O "Dia da Mãe" como o "Dia dos Namorados", desde que passaram a ser massificados, são feios. Quando o sentimento começou a alimentar o comércio para "acalmar" as crises, quando uma proliferação de objectos, que nada têm de pessoal, surgem nas montras com frases do tipo "Adoro-te mãezinha!" sou acometida de fúria destruidora. Quando os filhos (talvez por força das telenovelas, não me refiro ao National Geographic Channel...) passaram a ser tratados por "filhotes" fico num estado de "tolerância zero". Quando as meninas são tratadas por "princesas" e os rapazes por "campeões" apetece-me defenestrar "Barbies" e "Ken's" e deitar as Play Stations para o lixo. Felizmente que o meu filho sempre me ofereceu coisas simples feitas por ele e jamais me passou pela cabeça ser tratada "por adorada". Também nunca tive namorados que gastassem um cêntimo com produtos "próprios para a data". Nessa época não tinhamos dinheiro para gastar em parvoíces, nem a data tão pouco era comemorada. Nas revistas americanas via os anúncios do "Valentines day" que para mim eram "irreais". Tudo se passava num mundo de valores que não era, nem são, os meus.

Ontem passei o dia junto da minha mãe. Ouvi as histórias que ela sempre tem para me contar. Fui eu a premiada.

Para quem gosta de poesia, fica aqui um poema de Carlos Drummond de Andrade, de que gosto muito.

Sempre

Porque Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Porque Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe, não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto do seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, Antologia Poética.

primeiro dia de aulas

O meu primeiro dia de aulas. Margarida pela mão da mãe.

(Luanda, 1953)

 

5月2日

Salut les copains!

 

Entramos no mês de Maio. 40 anos depois do Maio de 68. Para relembrar a data estão a ser publicados testemunhos, livros, etc. Deles darei conta sempre que tiver oportunidade.

A minha geração faz contas à vida (ou às vidinhas...). Ficaram alguns "compagnons de route". Em Portugal a "primavera Marcelista" ainda não tinha chegado. Nunca acreditei nem tive esperança que dali viesse qualquer coisa de bom. O ar "primaveril" que se anunciava pareceu-me sempre saturado. Cheirava a mofo. Vou aproveitar este mês para falar do "meu" Maio de 68. Recebo notícias da Association Georges Perec, a que aderi há alguns anos, dizendo que o Le Monde criou uma coluna que, parafraseando o livro de Perec, mas reportando-se às memórias do Maio de 68, se intitula :"Je me souviens"

Começo as minhas recordações de Maio de 68 em tom provocatório.

Lembro-me de ..." todos ficarem aborrecidos por eu não gostar de Daniel Cohen-Bendit". Ainda hoje não gosto.

Lembro-me de ..." alguns colegas da Faculdade receberem com grande admiração um colega (português) que tinha estado na ocupação da Sorbonne."

 

Pequeno poema depois de ler Beatrix Potter

 

O ser e a essência

para a Adília Lopes

 

Ao coelhinho

para não sujar o pelinho

vestiram-no com um vestidinho

para não sujar o vestidinho

puseram-lhe um aventalinho.

A menina perguntou:

- Mamã, tenho um coelhinho branquinho?

 

Margarida Pino, 2004

 

 

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