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3月31日 Para o Nuno
Margarida e Nuno, Agosto 1969 Queria colocar este post a 26 de Março dia do teu aniversário. Ficam aqui algumas memórias da tua infância, que são também minhas, pois partilhei contigo os teus "heróis", ouvi os relatos (infindáveis...) dos jogos do Subbuteo. Quando tiveste papeira coloquei junto à tua cama um gira-discos já velhinho para te distraires ouvindo os discos com as histórias que mais gostavas. Foi assim que ouvi o teu disco da "Alice no País das Maravilhas" tantas, tantas, vezes, ao ponto de saber de cor os diálogos (aliás bem engraçados). Nuno,em 1975,no Externato "A Conchinha" na Rua Rodrigo da Fonseca Víamos juntos o "Franjinhas" e os amigos do "Carrocel Mágico" Num Natal comprei-te a maior caixa de Lego que ví. Nessa altura não havia os shopings e foi numa loja que vendia brinquedos na Rua do Ouro que a comprei. Durante anos ví-te fazer ( e desfazer ) milhentas construcções. Passei martírios com a Senhora Amélia, nossa empregada desde que nasceste, a apanhar as peças que espalhavas pela casa. Lembro-me de não gostares do teu cabelo loiro muito encaracolado. Querias parecer-te com o Príncipe Valente teu herói. Imagem do Príncipe Valente com o modelo de cabelo que gostavas para ti... Fazias guerras intermináveis entre índios e cowboys e brincavas também com soldadinhos de plástico. Imaginavas cenários de guerra que relatavas com palavras imitando sons de tiroteio e de bombardeamentos . Das canções gostavas muito de um disco do Vinicius de Moraes de que faziam parte "A casa", "O Pato", "O caderno", aqui interpretadas por Toquinho, grande amigo do poeta e cantor.
Não falhavas um episódio da Pipi das Meias-Altas:
Vias com imensa atenção o Vicky "O Vicking" e enchias cadernos com desenhos dos personagens:
Vias a Heidi mas creio que ambos ( eu via contigo os episódios ) nos aborreciamos com o tom lamecha da série:
Já do Sandokan, "O tígre da Malásia", gostávamos muito. Tive ocasião de relembrar as aventuras do herói de Emílio Salgari, que tinha lido na minha infância nos livros publicados pelas Edições Romano Torres
Ao recém-estreado Apolo 70 fomos a uma matinée de domingo ver a "Alice no País das Maravilhas". A Dama de Copas assustou-te... Levei-te aos meus primeiros ensaios de teatro ao casarão cor-de-rosa que é a "Comuna". Com grande atenção assistias aos longos ensaios e exercícios de aquecimento dos actores. Discutias encenação com o Francisco Pestana e com o João Mota e eles ouviam-te. Tinhas 8 anos. Mal sabia eu que muitos anos mais tarde iria assistir a um espectáculo teu naquele espaço.Mal sabia eu que o teatro seria a tua arte. O que gostas mais de fazer. A tua vida. Aqui fica, Nuno, um pequeno apanhado das nossas memórias. Como ambos prezamos a privacidade acho que basta. O resto serás tu a lembrar e, se te apetecer, a escrever. Que o fazes bem melhor que eu. 3月24日 Leitura para o fim da tarde
Eu sei, mas não devia Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. Para quem quiser saber mais sobre a escritora: Alguém duvida que Marina Colasanti seja uma grande escritora? Ela, sim. Na palestra de abertura da 3a edição do Fórum das Letras de Ouro Preto, dentro do projeto Tim Estado de Minas Grandes Escritores, realizada ontem à noite, Marina foi logo negando o título. - Seria muito cabotino alguém dizer para mim que eu sou uma grande escritora e eu aceitar. Toda vez que alguém fala isso, eu fico constrangida - brincou ela, explicando ainda que, apesar de o nome da palestra ser "Vida e obra", ela iria mudar um tanto o rumo da prosa. - Se eu ficar falando muito da minha vida, vai ficar com um jeito das revistas "Caras" ou "Contigo". Marina explicou, então, que para se conhecer um escritor é preciso analisar três itens de sua carreira: movente, projeto e proposta. Sua proposta, disse, não é "distrair ninguém". Ela deixou claro que escreve para "dialogar com o outro e procurar um sentimento no outro". Até mesmo seus textos infanto-juvenis seguem a premissa. - Eu escrevo para as crianças como escrevo para adultos. Não faço concessões para as crianças. Se uma criança não entende uma palavra ou outra, ela vai fazer um esforço de compreensão. Não escrevo para uma criança entender o que eu escrevo, mas para ela entender o que eu não escrevo. Não quero que ela entenda as palavras, quero que ela entenda o conjunto - disse a escritora. Já sobre seu projeto, Marina explicou que persegue a diversidade em seus textos. Assim, já fez contos, poesia, contos de fada, romance... - Acho que isso tem a ver com a minha origem, de diversidade, de ter passado por vários países. Eu sou uma escritora brasileira, mas penso em italiano - contou ela, que nasceu na Etiópia e morou 11 anos na Itália, antes de vir para o Brasil. - Quando comecei, de cara percebi que não queria realismo, não queria mostrar a realidade. Também não queria usar uma linguagem coloquial. Não queria uma escrita longa. Não sou de grandes hecatombes. Prefiro pequenos assassinatos. Sua motivação para escrever, por sua vez, tem origem na sua vida de leitora. Ela lembrou que sonhava em ser artista plástica, mas acabou jornalista basicamente para poder sair de casa. E fez uma revelação: - Eu sempre escrevi diário. Não é a mesma coisa que um blog. O blog é para uso externo, é para mostrar o que a gente faz, para valorizar o que a gente faz. O diário é uma coisa ultra-secreta, eu já comprava com cadeado. E, assim, eu escrevia sobre o que eu sentia. Minha vida de leitora se confunde com a minha vida - disse, respondendo mais tarde a uma pergunta sobre a possível publicação de seu diário. - Acho que vou deixar trancado para ser publicado apenas quando todos formos pó. Pop musicOs Modern Talking pertenceram aos grupos musicais que, nos anos 80, nos "embalavam" com canções como esta do vídeo. Para mim, que não tenho qualquer pretensão de fazer crítica musical, era o começo da época do vazio (Gilles Lipovetsky dixit...). No entanto é das raras canções que me ficaram no ouvido e gostei quando a reencontrei num dos meus blogs preferidos, refiro-me ao Gatochy's . Aqui ficam. Um era loiro outro moreno... Venderam milhões de discos. Bah!
Modern Talking - You're My Heart, You're My SoulArtist: Modern Talking lyrics Deep in my heart - there's a fire - a burning heart
Apetece-me terminar com uma citação de Carl Jung (where?) “Everything that irritates us about others can lead us to an understanding of ourselves.” 3月19日 Gosto muito de ...
Joni MitchellJoni Mitchell "Both sides, now" (Live, 1970 )
Both Sides, Now Rows and flows of angel hair Copyright © 1969; Siquomb Publishing Company "A Case of You"
A Case Of You Just before our love got lost you said Copyright © 1970; Joni Mitchell Boletim meteorológico para o dia de hoje
Manhã : Reunião na Biblioteca Nacional. Nem sol, nem chuva. Clima amigável propício ao desenvolvimento de projectos interessantes na área costeira junto às Berlengas. Ao saír da BN deparo-me com chuva miudinha daquela que não molha muito e que nos deixa sem saber se vamos a pé ou se apanhamos um táxi. Felicidade. Táxi pára aos meus pés. Faço a viagem comodamente sentada trauteando a canção que imortalizou Gene Kelly. Hoje, se sair de casa, não se esqueça do guarda chuva... Modelo de guarda chuva e capa ( Made in Japan... ) 3月18日 El Zéquita y sus azafatas ...Foto tirada daqui Ao Zoobizarro e ao JG por lhe ter roubado as galinhas... aqui deixo um abraço amigo da Cuca a "pilha galinhas" 3月17日 Aconteceu no dia 14 de Março de 1947Nasci em Lisboa na Rua Sampaio Bruno em Campo de Ourique. Não me lembro de como foi o meu nascimento. Amnésia total. De tanto ouvir os relatos da minha mãe, parece-me que, como o Macunaíma herói do romance homónimo de Mário de Andrade, já nasci com uma "certa idade" e também compreensão do mundo. Com bastante espírito de sobrevivência ( a minha mãe despertou do trabalho de parto com o ruído de alguém a sugar. Era eu que, à falta de melhor, chupava o dedo polegar). Esse gesto acompanhou-me muitos anos pois tinha qualidades sonoríferas acalmando-me e ajudando a adormecer. Aqui o Freud teria algo para explicar... Primogénita tinha imensas qualidades que, a não retirarmos o exagero familiar, dariam matéria a Jean Piaget e a Françoise Dolto para escreverem ensaios extraordinários sobre o "desenvolvimento precoce do recém.nascido". Às feministas da "linha-dura" a prova de que a Mulher luta pela vida desde que sai do ventre materno. Talvez por estas razões tenha sempre detestado ouvir os relatos dos acontecimentos do dia 14 de Março de 1947. Puro desinteresse. Não gosto de falar de mim e muito menos do período "irracional" da minha vida. Margarida no dia do 1º aniversário (o vestido com "favos de mel" bordados à mão, meias de renda obra de tia prendada, botas de pelica...)
3月12日 Sphera Mundi - A ciência na Aula da Esfera
Consultando a página da Biblioteca Nacional de Portugal lê-se: "Manuscritos Científicos do Colégio de Santo Antão nas Colecções da BNP. A Aula da Esfera do Colégio de Santo Antão foi uma das mais marcantes instituições de ensino e de prática científica em Portugal, tendo sido, durante quase dois séculos, o principal centro de formação dos quadros técnicos e científicos (cosmógrafos, engenheiros, etc.) de que o país necessitava. Integrada na vasta rede supranacional de centros de ensino da Companhia de Jesus, foi também o local de passagem de professores das mais variadas proveniências, o foco de intercâmbio com os mais avançados centros científicos da Europa, a porta de entrada em Portugal dos mais importantes descobrimentos da nova ciência. A exposição Sphaera Mundi: A Ciência na Aula da Esfera procura dar uma imagem da vitalidade e riqueza desta singular instituição científica, em áreas tão diversas como a matemática, a astronomia, a cosmografia, a estática e a hidráulica, a óptica, a engenharia militar, a construção de instrumentos, etc., bem representadas na colecção Manuscritos da BNP. 21 de Fevereiro a 24 de Abril de 2008 | Galeria do piso intermédio | Entrada livre Nota : Vejam o belissimo diaporama clicando aqui. 3月11日 Ainda sobre a guerra nos Balcãs
Foto retirada do artigo citado de R.N.Rosa Para os que leram, com o interesse merecido, o artigo ( dividido em duas partes ) da autoria de Rui Namorado Rosa que noticiei aqui no Sítio (v. post de 5.3) , têm agora a oportunidade de aceder à 3ª parte do mesmo : War and Peace in the Balkans - Part 3Aqueles que ainda não leram o artigo na sua íntegra poderão fazê-lo clicando no link acima. E, não esqueçam que... Rogério Ribeiro: o adeus ao grande artista plástico e homem solidário (Estremoz, 30 de Março de 1930 - Lisboa, 10 de Março de 2008)
A notícia da morte do Rogério Ribeiro chegou-me hoje por várias vias. Faleceu ontem, dia 10, no Hospital de Santa Maria onde não resistiu às complicações cardíacas que tinham levado ao seu internamento no passado fim-de-semana. Sabia-o doente e muito fragilizado. Nunca acreditei que o desfecho fosse tão rápido. Estive com ele ao longo de muitos anos em várias reuniões. Conhecia a sua capacidade para, com aparente simplicidade/facilidade, usar a sua arte com inteligência a que um sentido estético militante lhe emprestava força e beleza. Rogério Ribeiro - Voo de Ícaro Custa-me falar de quem esteve ( e continua a estar ) tão próximo de mim não tendo nunca conversado com ele. Fazia parte da "família" por via do meu cunhado o escultor Jorge Vieira. A grande família a que nos orgulhamos de pertencer ficou sem mais um dos seus membros. Lá, onde quer que esteja, estará a pensar em grandes murais cujo movimento é um impulso à luta que prosseguimos. 3月10日 Um soneto de amor
LOPE DE VEGA
DESMAYARSE, ATREVERSE, ESTAR FURIOSO Desmayarse, atreverse, estar furioso, áspero, tierno, liberal, esquivo, alentado, mortal, difunto, vivo, leal, traidor, cobarde, animoso,
no hallar, fuera del bien, centro y reposo, mostrarse alegre, triste, humilde, altivo, enojado, valiente, fugitivo, satisfecho, ofendido, receloso.
Huir el rostro al claro desengaño, beber veneno por licor süave, olvidar el provecho, amar el daño;
creer que un cielo en un infierno cabe, dar la vida y el alma a un desengaño: esto es amor. Quien lo probó lo sabe. 3月5日 Onde se fala do Kosovo e de como alguns países curvam a espinha aos USA reconhecendo-lhe a "independência"
Soldados da ONU no Kosovo Sempre que me falam em independências nacionalistas assusto-me. Por razões políticas e humanitárias apoiei o direito de algumas nações à sua independência. Nem sempre o caminho seguido por estas ( criação de élites locais que vieram substituir as coloniais ) coincidiu com o que se esperava. Sei que há um longo caminho a percorrer e que o povo dessas nações, mais tarde ou mais cedo, irá repor os seus direitos. De nada me arrependo e voltaria a dar a cara por tudo quanto fiz e continuo a fazer. Dei-me conta que, por vezes, das "independências" ou das "revoluções" se tem uma ideia utópica que se resume na passagem automática ( com o escorraçar dos maus... ) para o paraíso. Está provado que não é assim. Daí as "amarguradas" queixas de alguns e o virar da casaca de muitos com declarações no minímo reaccionárias. Há dias numa longa entrevista de Maria Eugénia Neto , viúva de Agostinho Neto, ao Jornal Expresso ( edição de 5/1/08 ) li coisas que se não tivessem sido publicadas agora pensaria que se tratava de uma peça forjada pela reacção. Retomando aquestão deste post : qual a ideia que a maioria das pessoas tem do Kosovo? Qual a imagem que os média deixam passar? Crianças rotas, ranhosas de mão estendida. Inferência: os sérvios ( os "maus" da fita ) privando o Kosovo da independência, segregam o seu povo matando-o à fome. Para evitar que isso aconteça os "soldados da ONU" espalham-se pelas ruas zelando pela "ordem" e distribuindo alimentos. Em troca de quê? De nada. Vocês acreditam??? Claro que não. Porque se interessam tanto os americanos por esta "indepêndencia"? Por nada??? Por "justiça" e "respeito pelos direitos do povo do Kosovo"??? Deixem-me rir! Quem conhece a história da ex-Jugoslávia rapidamente se apercebe do embuste. Basta juntar 2 mais 2. Alguma vez os USA se interessaram por países que não tivessem localizações estratégicas sobre o ponto de vista económico e, evidentemente, militar? Nunca! Portugal, não pensa politicamente pela sua cabeça, e cada vez mais nos querem habituar a não usar a nossa. A seguir. A seguirmos, e um dia, se a nossa atitude colectiva não mudar, "lá vamos nós, cantando e rindo, levados, levados, sim..." "Alegre"/triste hino da nossa História. Chamo a vossa atenção para um artigo, publicado em duas partes no Sanders Research Associates Limited , da autoria de Rui Namorado Rosa fundamental para se entender esta questão e que vos aconselho a ler: Part I - PREPARING AND WAGING THE WAR*Part 2 -WAR AND PEACE IN THE BALKANSNo blog Commonsense li, num outro registo, o seguinte post: "Kosovo: um misto de Calábria e de Faixa de Gaza É notório o embaraço da diplomacia portuguesa perante a declaração unilateral de independência do Kosovo. O costume diplomático de seguir os Estados Unidos levaria Luís Amado a apressar-se a reconhecer antes mesmo de toda a gente. Mas a necessidade de manter o bom relacionamento com a Espanha aconselha prudência. O Presidente da República parece sensível ao perigo de instabilidade que um precedente como este inevitavelmente envolve, e as suas declarações parecem ter travado uma atitude precipitada do Governo. A localização de tropas portuguesas num dos locais mais sensíveis do Kosovo também não aconselha o reconhecimento. Esta questão do Kosovo tem a marca inconfundível das grandes manobras americanas de desestabilização. Os balcãs são, hoje, o ventre mole da Europa. A declaração unilateral da independência do Kosovo, logo reconhecida pelos EUA - e surpeeendentemente, por vários Estados da União - acaba com qualquer esperança de paz e estabilidade na região. Na Sérvia, os sectores pró-europeus perderam toda a capacidade de argumentação e será imparável uma aproximação rápida à Rússia. O Kosovo é um estado inviável, quer na economia quer no resto. Vai ser um estado mafioso, a viver do tráfego de heroína e de prostituição, de branqueamento de dinheiro, etc. - uma mistura de Calábria e Faixa de Gaza. Nas Nações Unidas, a Rússia e a China já anunciaram que irão vetar o reconhecimento internacional. Previsivelmente o Kosovo nunca terá a sua bandeira nas Nações Unidas nem na União Europeia. Há todas as razões para preocupação. Publicado por commonsense em 22 de Fevereiro de 2008" Deixo aqui a primeira parte de uma longa entrevista dada por Noam Chomsky a Danilo Mandic. A entrevista completa está disponível no YouTube
3月3日 Acreditem
Na introdução a este blog falei que, entre outras coisas, ele seria uma partilha de sentimentos e...de emoções. Não está escrito mas está implícito. Quem não se emocionou ou emociona ao ouvir esta bela canção do Chico Buarque? O meu amor O meu amor O meu amor O meu amor O meu amor Eu sou sua menina, viu? 3月2日 Há sempre uma canção para toda a vida
Yesterday Yesterday, all my troubles seemed so far away |
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